Câmara Municipal recebe servidores e diretores da FHEMIG para Audiência Pública

A equipe de servidores do CHPB, sindicato, médicos, presidente e diretor debateram sobre a desinstitucionalização dos moradores

A equipe do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena - CHPB, em sua maioria, compareceu ontem (26/04) na Audiência Pública realizada na Câmara Municipal para debater a desinstitucionalização dos 151 pacientes que hoje residem no Centro.

A audiência pública foi realizada a pedido do vereador Edson Resende (PT) que também Presidente da Comissão de Direitos Sociais da Casa, iniciou sua fala contando a história de horror que já foi vista naquele Hospital e a superação que os servidores conquistaram com dedicação e empenho. “Já fomos um hospital Colônia e abrigamos a maioria dos pacientes brasileiros em nossa cidade. Infelizmente, calcula-se que mais de 50 mil pessoas tenham perdido sua vida aqui. Por décadas vivemos assombrados por este passado”, disse.

Segundo Edson, a história começou a mudar na década de 80, quando iniciou-se a Reforma Psiquiátrica. “A partir daí começamos com internações a curto prazo, ambulatórios , Hospital Dia, centros de convivência, oficinas terapêuticas e módulos residenciais. Hoje, já se tem 220 pacientes morando de 32 residências terapêuticas. Restam no CHPB 150 pacientes que precisam ter seus destinos definidos. E a Câmara Municipal quer ser mediadora e ajudar nessas soluções”, disse.

O Presidente da FHEMIG, Doutor Jorge Nahas disse que ao longo de sua vida concluiu que todo ser humano merece morar em uma residência terapêutica. “Todos os pacientes merecem esse carinho de morar em uma casa e é isso que nós queremos proporcionar a eles”, disse.

A representante de todos os servidores, Maria Aparecida Umbelino disse que os funcionários do CHPB se preocupam com o destino dos pacientes, pois muitos há nãos já moram no local. “Temos pacientes que moram no CHPB há mais de 30 anos, que veem em nós suas famílias e amigos. Precisamos discutir muito bem o que será feito desses pacientes. Não sabemos se os mesmos acostumarão nas residências”.

Carlos Augusto Martins, da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (ASTHEMIG), relatou que muitos internos já não têm mais referência de cidadania fora do CHPB. “Temos que ter um resguardo e garantia de que esses pacientes irão ter a continuidade de qualidade de vida'.

O diretor do CHPB, Wander Lopes Silva disse que a instituição depende agora da Prefeitura Municipal, do Estado e da própria Fhemig para que os pacientes sejam removidos para as residências e que tal medida só será adotada se houverem todas as condições e garantias para que a ação aconteça.

Ao encerrar a audiência muitos servidores falaram em defesa da permanência dos pacientes no Centro. O Presidente da Câmara, Odair Ferreira (REDE), disse que o Legislativo continuará acompanhando a possível desinstitucionalização e espera que tal medida seja tomada dentro do máximo respeito e dignidade com os moradores do CHPB.

Participaram da Audiência Pública o Padre Luiz Cláudio - Coordenador Instituto José Luiz Ferreira; Vander Lopes da Silva – Diretor CHPB; Jorge Raimundo Nahas - Presidente da FHEMIG/MG; Robson Campos Vidigal - Superintendente Regional de Saúde; Maria Aparecida Umbelino de Oliveira - Representante dos Funcionários da FHEMIG – CHPB; Luiz Paulo Nogueira - Promotor de Saúde do Ministério Público; Francisca Moreira dos Reis - Presidente do Sind-Saúde Núcleo Barbacena e Belo Horizonte; Carlos Augusto dos Passos – Presidente Associação dos Trabalhadores em Hospitais do Estado de Minas Gerais; Humberto Verona – Coordenador Estadual de Saúde Mental; Colimar Braga– Delegado de Polícia. Fizeram uso da palavra o ex-prefeito Célio Copati Mazzoni; a médica Nátalia Oliveira; Roseli Cordeiro; Joseane Assis; Daniela Viana e Fátima Custódio.