Monsenhor Geovane Luís concede entrevista exclusiva à TV Câmara

A menos de dois dias de se tornar Bispo Episcopal, o Monsenhor Geovane Luís conversou com a equipe da TV Câmara na Casa Paroquial e destinou mensagens especiais aos barbacenenses

Com um clima de despedida no ar, a equipe da TV Câmara foi recebida exclusivamente pelo Monsenhor Geovane, ex- pároco do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, a menos de dois dias antes de sua ordenação como Bispo metropolitano de Belo Horizonte.

 

TV Câmara: Monsenhor porque o senhor escolheu ser ordenado Bispo em Barbacena e não em Carandaí que é sua terra?

Monsenhor: Eu saí de Carandaí há 20 anos. Farei 20 anos de sacerdócio este ano e serei o Bispo mais novo do Brasil, com 46 anos. Eu me recordo que quando fui ser ordenado padre lá, no dia 08 de janeiro, a Igreja lotada, o povo muito feliz, mas eu pensei assim: meu Deus são poucas as pessoas que eu conheço pelo nome, porque muda né.  Quando eu estava em Mariana eu ia mais para celebrar lá, agora não mais. Hoje, eu vou a minha casa toda semana, vejo meus pais, mas eu não posso deixar a Paróquia para celebrar lá.  E depois eu pensei, vou ordenar onde eu conheço as pessoas, com o povo o qual eu convivi nesses últimos anos. É muito fácil quem estar aqui participar da celebração, do que se descolar para Carandaí.

 

TV Câmara: Porque o senhor escolheu a Basílica de São José e não o Santuário?

Monsenhor: Infelizmente não é um feriado e aqui na Praça seria muito complicado. E depois, pode estar um tempo chuvoso. É preferível você ter 1.300 pessoas dentro de uma igreja, abrigada do sol e da chuva, do que ter 3.400 na chuva e no sol.  E lá serão montadas tendas com telões para os que não conseguirem entrar na igreja.

 

TV Câmara: Nesses 5 anos e 8 meses de Barbacena, o que o senhor celebra como um presente pra cidade ou para sua vida?

Monsenhor: Eu vejo que a ordenação episcopal é um presente de Deus para a igreja, sobretudo para o povo e também para mim. Porque o dom de Deus serve para mim, mas serve também o povo. Eu serei ordenado para servir ao povo. Eu serei ordenado para servir a Deus, agora com mais intensidade e radicalidade. E antes, como padre, eu já era convidado a servir com doação, agora mais ainda. O ministério episcopal não é uma honra é um serviço a Deus e ao povo de Deus.

 

TV Câmara: Mas o que o senhor destaca nesses anos em Barbacena?

Monsenhor: Nestes 5 anos eu só tenho a agradecer a Deus, porque houve uma grande resposta das lideranças da paróquia no sentido de levar a frente os trabalhos evangelizadores. Uma coisa muito importante em todas as paróquias é que os leigos tomem consciência disso. Eles vivem ali e são chamados a anunciar o evangelho, a trabalhar na paróquia. Eu agradeço a Deus porque aqui, nós conseguimos realizar todas as assembleias pastorais, já estavam previstas todas as assembleias este ano, mas interrompemos o processo por causa da minha nomeação. Nós trabalhamos na formação de leigos, ministros novos da eucaristia, da palavra. Concluímos diversas obras de caráter social. Por exemplo, a casa Dom Luciano aqui no fundo da Casa Paroquial é um abrigo para as pessoas em situação de rua, é um espaço educativo para os jovens, é um espaço também que gera apoio para as famílias carentes no sentido de realizarmos a distribuição das cestas básicas, donativos aos pobres, remédios para famílias carentes. Então todo o trabalho da paróquia foi fortalecido nesses 5 anos. Pra vocês terem uma ideia, 20% do dizimo é investido unicamente na ação social. Também obras de caráter religioso, como a revitalização completa da Igreja de Nossa Senhora das Graças, no bairro Valentim Prenassi, como os moradores daquela comunidade abraçaram o projeto.

 

Monsenhor: A comunidade de Santa Efigênia, também se organizando no 9º Batalhão para revitalizar sua igreja. A Capela do Santíssimo já foi totalmente reformada. A comunidade de Nossa Senhora Aparecida, tivemos lá também intervenções na igreja. Agora a paróquia está se abrindo para uma frente social naquela comunidade, seria a acolhida para crianças e adolescentes sob orientação da paróquia.

 

Monsenhor: Aqui no Santuário realizamos um grande trabalho. Um investimento, calcula-se quase de 1 milhão de reais. Um investimento que é muito, mas que ao mesmo tempo um gasto comedido. Pois se nós terceirizássemos o serviço, gastaríamos muito mais. Então foi uma obra gerenciada pela Paróquia. Fizemos também outros trabalhos, como a troca completa das telhas do Santuário, Dois mil metros de telhado, ripas, limpeza dos forros, colocação da anta dupla face, colocação de um sistema de para raio, que protege não só o templo em si, mas todos os aparelhos aqui do Santuário, a restauração da Pietá, a restauração do Altar-Mor, camarim, onde está a Padroeira, foi tudo trocado, a troca dos assoalhos, dos forros das capelas, a colocação dos novos sinos, dos relógios, a pintura externa, agora o adro que já está sendo revitalizado. Temos também outros projetos encaminhados como a iluminação, em parceria com a prefeitura, um projeto que irá ficar lindo. E agora, por fim, o projeto que é a restauração dos órgãos de tubos. Barbacena tem esse tesouro, um instrumento musical do século IXX. O segundo instrumento mais antigo de nossa arquidiocese, do Brasil e de Minas Gerais.

 

TV Câmara: O senhor ficou muito conhecido como um padre amigos dos jovens, Trazendo novamente o grupo de jovens para o Santuário. Que mensagem o senhor deixa para eles?

Monsenhor: Para os jovens eu digo que não tenham medo de acolher no coração o evangelho de Jesus Cristo. Porque ele provoca no coração do ser humano, a verdadeira alegria, a libertação, a revolução verdadeira do amor. O mundo precisa dessa revolução do amor, o mundo precisa desta liberdade que só Cristo no seu evangelho pode oferecer.